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4 de out de 2011

Por que não abortei?

Abortar? Como assim abortar? E interromper a vida da minha filha?
Quem aquela médica pensava que era pra me dizer o que era o melhor a fazer?
Foram essas as perguntas que me fiz mesmo depois de me acalmar, com o diagnóstico da síndrome da minha filha ainda entalado na garganta. Eu já me sentia mãe, desde antes de confirmar a gravidez. Como poderia pensar em uma coisa dessas? Resolvi apenas continuar o ciclo natural das coisas, da vida. Não houve dúvida, nem minha nem do meu marido. Aguentaríamos o quanto a Duda ou Madú, aguentasse. E assim levamos até a 39ª semana, quando aconteceu o parto. E não me arrependo!
Pude ser mãe daquele bebezinho durante todo esse período. Conversava com ela o dia todo. A acordava quando eu acordava e a colocava pra dormir quando ia pra cama. Avisava quando estávamos indo passear, e mostrava a ela todo o carinho que ela recebia quando chegava uma visita, na maioria das vezes com um presente na mão.
Sim, ganhei muitos presentes! Um enxoval quase completo, com direito à kit de berço, fraldas, roupas e tudo mais. E não me sentia mal com isso. Eu acreditava e continuo acreditando em milagres, mas em todas as minhas mais dolorosas orações não sentia que era vontade Deus curá-la para que eu pudesse tê-la comigo por mais tempo. Então passei a ver o milagre de outra maneira. Ele foi acontecendo cada dia em que a  Maria Eduarda continuava conosco.
Quando já sabia do problema, estava novamente em discussão no STF - Superior Tribunal Federal, a liberação do aborto para casos de anencefalia. Uma afiliada da Tv Globo queria repercutir o assunto na região onde morava, no Vale do Paraíba, e como tenho muitos colegas lá, entraram em contato comigo. Foi bom. Assim eu pude primeiro, já contar pra todo mundo qual era o problema sem ter que ficar explicando um por um que me abordasse e, segundo, expôr minha opinião contra o aborto. Em seguida, gravei um depoimento, que em breve postarei aqui, levado pela Dra. Elizabeth Kipman, da Comissão em Defesa da Vida da CNBB ao STF durante os debates. Adoraria ter ido lá pessoalmente, mas não era conveniente aos 7 ou 8 meses de gravidez.
Era o que eu podia fazer! Brigando pelo filho dos outros, me senti brigando pela vida da minha filha.
E assim quero continuar. Por isso, além de minha experiência, dos meus sentimentos, também quero dividir com vocês tudo que for notícia, informação, novidades e conquistas sobre a Defesa da Vida!
Tenho certeza de que poder trabalhar nesse sentido, é uma maneira de retribuir a toda alegria que minha filha me trouxe. Pois ela me trouxe várias. Quando reagia chutando minha barriga em nossas conversas, quando mexia lá dentro, como se quisesse me afirmar que ainda estava lá, comigo! Quando chorou ao nascer, mesmo sem ter condições para isso, quando segurou meu dedo com todos os da mãozinha dela, como se não quisesse que eu fosse embora. Quando resistiu fortemente por três dias, permitindo que eu pudesse dizer e transmitir a ela o quanto eu a amava. Talvez seja difícil para você compreender como posso ver isso como alegrias. Mas hoje tenho condições de afirmar isso, por entender que esse foi o plano de Deus na minha vida, e que Ele poderia tê-la levado ainda dentro da minha barriga, mas olha o quanto mais me foi permitido!
Se as vezes me pego chorando, é de saudade, uma saudade natural, normal, sem culpa. Uma saudade de coisas que não pude fazer, como trocar a fralda, dar banho, amamentar, pegar no colo... mas também uma saudade das poucas que pude. Agora, imaginem se eu tivesse feito o contrário?

12 comentários:

  1. Deus é fiel Kellen. E você é muito guerreira. Quando fizemos a matéria, tratamos tudo com muito carinho e sei que pudemos ajudar outras pessoas. Continue defendendo sempre a vida. Parabéns viu.

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  2. Oi Júlia, fiquei feliz em ver seu comentário aqui. Tenho a certeza de que foram além do profissionalismo. Como disse, fazer aquela matéria foi muito importante pra mim! Espero rever você em breve! Um grande bjo!

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  3. Hoje cedo, logo que acordei, uma curiosidade me bateu quando fui mexer no meu facebook. Esses sistemas de rede sociais, se usada para o bem fazem um bem enorme. Ali na minha página tinha um blog de uma “prima”, com as aspas, pois prima de minha mulher se torna prima minha também, acredito assim. O blog vinha contando a história da vida deles, quando tiveram a experiência de ter uma filha, a Maria Eduarda, que nasceu com anencefalia, e logo veio a falecer. Lendo os depoimentos colocados ali, me fizeram crer de forma inexplicável e emocional em Deus, além de suscitar em mim essa chama de amor. Gerar uma vida já é por si divino, o presente dos céus, uma dádiva, entre tantos outros adjetivos que passaríamos horas falando, porém, dar luz a uma pessoa da qual o fator vida, viver, é “quase” impossível, nos torna pessoas melhores ainda. Digo quase, porque o viver não vem de nós, isso vem de Deus, e mesmo todos os não crentes, não em religião, os que não crêem que Deus existe, ainda sim se rendem que o viver não vem de nós, como o morrer também não. Existem situações na vida da gente, que mesmo de maneira dolorida, que machuca, e que se tornam cicatrizes vivas na pele, vem como um caminhão de aprendizagem e principalmente um encontro com o amor e com Deus. Eu sou um pouco religioso confesso, mas minha fé não vem baseada na religião que aprendi a ter, e sim, em testemunhos, exemplos, milagres, que presencio todos os dias da minha vida que me fazem crer em algo maior, e não digo o sol nascer, o mar, a terra, todas essas coisas que já são um milagre diário, e sim de pessoas como esses meus amigos-primos, que de forma divinal fizeram com que hoje eu desse mais um voto pro amor, um tijolo no murinho da minha fé. Deus dá o fardo a quem consegue carrega, e nunca maior do que suportamos, e quando recebemos o fardo, nos perguntamos por que eu? Porque nós? Porque vocês agüentam mais do que outro agüentaria, e por isso, vocês são suficientemente capazes de mostrar aos que não suportam que é possível de se carregar, mesmo com a dor, se leva aquilo que é dado por Deus. Quero expressar um carinho, mesmo que na época não fazia parte da família da qual eu amo ser um agregado, expressar que se tudo isso aconteceu na vida de vocês Deus tinha a intenção de mostrar que é possível amar mesmo na dificuldade que for, olha Ele e vocês atingiram o alvo. Acredito que a vida de quem vive uma situação dessa já é por Deus confortada e abençoada, e diante de tantos problemas diários que enfrentamos na vida, nos tornamos fracos e omissos ao amor, e mudamos completamente nosso perfil, de serenos para gananciosos, de felizes para triste, problemas pequenos que nos mudam tanto, tiram nossa fé, ai em uma manhã bem cedo, Deus mostra que não importa o tamanho do seu problema, importa o tamanho da sua fé, que as coisas pequenas são pelo próprio nome pequenas, que não devem abalar o coração da gente, e que as coisas grandes não são tão grandes quando acreditamos que temos uma fé e um amor maior. Não sei o que passa pela cabeça, coração, de quem em um dia tem os sentimentos paternais cortados pela raiz, mas sei que uma semente quando lançada brota arvores com frutos lindos, mesmo que não haja a raiz ainda há esperança de sementes pelo jardim. Que os frutos da vida desses meus amigos brotem, como tem brotado no coração de outras pessoas, que a vida é um direito pessoal e intransferível e não existe diploma, mestre, doutor, que tenha a capacidade e a autoridade de dizer que não se deve viver. A felicidade não se faz com o tempo que se vive, se faz com os momentos que você não deixa de viver.
    Um beeijo enorme...

    Marco Aguiar
    Na luta com você.

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  4. Oi marco, tudo bem?
    Me emocionei muito com o que descreveu, suas palavras tocaram fundo, pude entender que pelo pouco que conversamos, nos vimos, que você é uma dessas pessoas abençoadas que foram enviadas apenas para realizar o bem, independente de quem seja, ou o que for. Você conseguiu absorver todo nosso sentimento que foi implantado neste blog, toda nossa fé que foi depositada aqui. Fiquei muito feliz que pudemos tocar seu coração também, e agora sabemos que está conosco nessa luta omita mim uma felicidade a mais: acabei de ganhar mais um irmão, não mais amigo, irmão! Obrigado

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  5. Minha irmã Kellen, o seu depoimento é um exemplo do grande amor que devemos ter por nossos filhos, pois eles são presente de Deus. As circunstâncias nos fazem crescer. Vou postar esta matéria no meu blog e divulgar a sua mensagem de amor, pois existem pessoas que não se curvam. Juntos somos fortes em Cristo Jesus. Deus continue a abençoar a sua família. Zenóbio Fonseca

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  6. Kellen e Diogo, você são a prova viva do imenso amor de Deus por nós. Somente Deus para fortalecê-los. "Deus não escolhe os capacitados mas capacita os escolhido." Moro em São José dos Campos e atuo no grupo em Defesa da vida na Paróquia Sagrada Família.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Olá ,Kellen descobri o seu blog por acaso, quando vi o link na página de um amigo no facebook, logo me chamou atenção, " Mães escolhidas a dedo", eu não sou mãe ainda, mas desejo muito ser, estou aqui pra dizer q sou mais uma na luta contra o aborto e a favor da vida, o mundo precisa de pessoas assim, corajosas, continue firme, vc conhece o vídeo 99 balões, querido Eliot? um amigo compartilhou comigo, é emocionante e real... Gostaria de vê-lo publicado em seu blog, se achar pertinente, tá lá no youtube... Bjo fica com Deus

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  9. Para toda a vida, vocês estarão protegidos, abrigados debaixo da sobrena proteção do iluminado espírito de Duda.
    Mal nenhum jamais vai alcançá-los. Caiam mil homens à sua esquerda e dez mil à sua direita, vocês não seráo atingidos.
    O desejo de fazer o bem vai orientar todos os seus gestos, por todos os dias de sua vida.
    Felizes os que puderem desfrutar do conhecimento gerado pelas palavras de vocês.

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  10. Meus parabéns!! você agiu como filha de Deus...Deus deu a sua filha o tempo necessário para lhe deixar saudades, saudades desses momentos em que um outro coração pulsava dentro de ti; no teu ventre. és agraciada por Deus.

    Uberlania Torres
    Campina Grande -PB

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  11. Assiti a seu video na internet. Fez muiiito bem. Tenh certeza de que lá d céu, sua filhinha te ama muito e sabe que você é uma mãe MARAVILHOSA!!!

    Abraços!
    Que Deus te abençõe sempreee!!

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  12. Irei fazer um simulado na escola onde eu estudo, e a redação és sobre "Anencefália: Abortar ou não". Vou usar a sua história como inspiração.
    Parabéns pela iniciativa. Muito booom!!
    Sua filha lá do céu, é grata a vcê por deixa-lá sobreviver ao menos 3 dias!!
    Ela é um anjinho de Deus que lá de cima está lhe protegendo e te amando muiiito!!
    Adoorei Kellen!
    De verdade Parabéns!
    Que Deus te abençõe!

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